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# minha estante – por Alex Luna

23/05/2011

Esse é o primeiro post da seção #minha estante que o De Bubuia faz em parceria com o Menos um Na Estante. Logo que convidei Márcia Lira pra mostrar sua estante ela só não topou no ato como disse que queria ter tido essa ideia pro Menos Um. Logo pensei que a gente poderia fazer uma parceria, já que ambas somos loucas por leituras, livros, estantes, etc e convenhamos esse post realmente é a cara do Menos Um. Então segue abaixo a estante do Alex Luna (prazer Alex!).

ps: é por isso que gosto tanto de trocar ideias sobre os hábitos de leituras das pessoas, sempre podemos aprender e refletir sobre isso.

# Minha Estante – por Alex Luna (e aqui vai o texto de Márcia pro Menos Um na Estante na integra)

Quando Mari me chamou pra participar de uma seção do blog dela, o de bubuia na bubuia, chamada “minha estante”, eu adorei. Era uma ideia que eu queria ter tido para o Menos um. Então ela propôs que fizéssemos juntas, convidando as pessoas e linkando os depoimentos de um blog para o outro. Só que eu nunca tinha convidado ninguém.

Até que o Alex Luna, mais conhecido como Tarrask, que é publicitário e tem ideias bem legais (vide o blog The Worst Kind of Thief – adoro esse nomne!), estava contando no Twitter como a biblioteca dele estava se tornando virtual. Isso me despertou vontade de convidá-lo pra inaugurar a seção aqui e ele topou na hora. Mandou um texto que vale cada parágrafo, uma defesa pragmática dos e-books, observações sobre o presente futuro dos livros em papel. O Menos um na estante agradece :)
Livros lidos entre 1998 e 2004, aproximadamente

Meu nome é Alexandre e eu sou viciado em ler. Desde muito pequeno, sempre tive muitos livros em casa. Na pré-adolescência, meu pai me levava a sebos, onde eu despejava dezenas de livros lidos e trazia outras dezenas novas para casa. Há uns dez anos, comecei a anotar a quantidade de livros não-profissionais que eu leio. No meu ano mais profílico, passei dos 80.

Ontem, eu tive que fazer um largo trajeto de trem. Uma hora de ida, outra de volta. Situação perfeita para pegar um livro novo e começar a leitura no caminho. Se tivesse menos de 200 páginas, eu provavelmente acabá-lo-ia.

Aí eu descobri que não tinha absolutamente nenhum livro de papel não lido em casa, pela primeira vez desde que consegui ler uma placa que dizia Mimo do Céu, numa feira-livre. Um frio me correu pela espinha. Será que eu já tinha lido tudo? Será que os clássicos acabaram e agora eu só teria que repetir? Será que eu passaria ao outro vício, uma droga pior ainda?

Não era isso. Foi o resultado de um ano praticamente sem comprar nenhum livro de papel.

Vamos queimar a Biblioteca de Alexandria com Umberto Eco dentro

Durante 2010, descobri três grandes vantagens de ser leitor compulsivo e ter um leitor de livros eletrônicos.

# Vantagem 1: grana

Quando comprei um iPad, justifiquei a compra com o argumento profissional, estar atualizado, saber pra quê serve o troço. Também porque é um ótimo aparelho pra quem viaja e precisa estar online o tempo todo (e eu preciso ler o tempo todo, senão murcho). Mas a justificativa financeira é melhor: durante o ano passado, o que eu não comprei em livros foi menos do que eu investi no iPad.

Livros, gibis e feeds, muitos feeds

# Vantagem 2: a disponibilidade de obras

Ao contrário do que dizem os puristas, a galera que diz que o livro vai acabar, yadda yadda, num Kindle é mais fácil ler Shakespeare ou Camões. Você tem dicionário e referências disponíveis na hora (e se você lê esses classicões sem referências, parabéns, é gênio ou tolo, provavelmente o segundo). Aliás, centenas de milhares de títulos estão ali, disponíveis para ler. Pensamos que nem todo livro está disponível em formato digital (não existe NENHUMA gramática da língua portuguesa disponível para a venda, vergonha das editoras luso-brasileiras) mas a quantidade de títulos é suficiente para saciar a minha voracidade de leitura e ainda sobra.

Ganhei o Graveyard Book, de deus Gaiman, e depois de lê-lo, comecei a ler O Livro das Selvas. Com um clique. Li em algum lugar uma referência a um conto de Tchecov, encontrei nos livros que já tinha baixado. Comprei e li o novo livro do Seth Godin. Adoro grifar e sublinhar frases e trechos, e logo depois da leitura, já tinha disponível no computador os meus próprios comentários, simplificando o processo de escrita do post-resumo do livro.

Só é difícil encontrar coisas em português

# Vantagem 3: transporte

De todas as mudanças que eu fiz na vida, esta talvez é a mais fácil. A grande maioria dos meus livros está numa estante na casa da minha mãe. São todos os que eu comprei e não emprestei até vir morar na Espanha, e mais uma ou duas malas de livros que eu já levei em outras viagens. Agora, só vou levar uma caixa, pequena, com os que pretendo usar em algum projeto, e o iPad.

Os poucos livros que vão acompanhar a última mudança

Desvantagens existem no paraíso digital?

Dá pra procurar desvantagem em tudo. Vi uma palestra do Umberto Eco, quando estava lançando O Cemitério de Praga, e fiquei com muita vontade de lê-lo. Infelizmente, por questões de reserva de mercado, a versão eletrônica ainda não foi publicada. Como o livro foi diagramado num computador, podemos dizer que por decisão editorial. Ainda há muita gente lutando contra os livros digitais. Vamos chamá-las de MPAA editorial.

Se você só lê em português, é mais difícil encontrar coisas boas. O Brasil está há uns cinco anos de distância do mercado dos EUA.

Muita gente diz que tem fetiche pelo cheiro do papel. Outros, que não dá pra matar barata no banheiro. Outros que vão ficar com dor de cabeça. Se você pensar bem direitinho, é tudo desculpa. Um livro é um objeto físico tão desajeitado e incômodo como um vinil. Possui os mesmos chiados, a dificuldade de fazer uma errata, de fazer uma consulta, um índice inteligente, etc.

Saudosistas sempre existirão, mas ler em papiro, que é bom, ninguém quer.

Depois do livro eletrônico, vamos queimar a estante?

Será que só eu penso que Farenheit 451 não é sobre papel, mas sobre ideias? Se você vai ao teatro e vê Romeu e Julieta, continua sendo Shakespeare. Não importa se é papel, papiro ou e-ink, Platão continua falando sobre cavernas e o Cântico dos Cânticos continua sendo um livro erótico.

Hoje, tenho livros em papel, outros na minha conta do Kindle, comprados ou baixados gratuitamente, e também no iBooks, o programinha do iPad para a leitura de materiais digitais. Continuo emprestando, dando, trocando, comprando e vendendo. Publiquei meu livro em papel e em digital, e quem quiser, lê do jeito que quiser.

Como usuário, hoje, prefiro comprar um livro eletrônico, exceto se for um livro de fotografia. Gosto mais de hipertexto que de texto. Preferência pessoal.

Se você quer continuar andando de tílburi, enviando uma carta para o catálogo que veio no jornal para encomendar livros de papel e lê-los à luz de velas na sala enquanto escuta a pianola ou o vinil, fique à vontade.

Apêndice

Depois de escrever o texto anterior, comprei os 4 volumes da Jogo de Tronos, versão digital. Preço: 4 pelo preço de 2. Aqueles livros de fantasia, mil e cacetada páginas cada um. Sério, dá vontade de reler O Senhor dos Anéis. A primeira vantagem óbvia é a leveza. Ler livrões de bilhões de páginas é o primeiro exercício que um nerd faz. Agora é moleza. Além disso, dá pra levar a coleção inteira. Viajei durante a semana, e durante o voo, espera em aeroporto, noite e tal, consegui ler um livro e meio, simplesmente porque sempre tinha disponível algo.

A outra vantagem, que parece besta, mas para quem lê em outra língua é genial, é a facilidade de consultar o dicionário. Você pode se achar mega-bilíngue, 20 anos de Cultura Inglesa e o escambau, e mesmo assim não sabe o que raios é um auroch (é uma espécie de boi medieval, que está extinto desde 1624). No livro normal, você não pára e consulta o dicionário, né? Aliás, você pode até continuar lendo, porque o dito boi só aparece no livro sendo devorado em banquetes e festins reais. Mas é muito mais gostoso consultar o dicionário simplesmente botando o dedo em cima. Sério.

Uma desvantagem, pra vocês não acharem que eu sou só elogios, é saber quantas páginas eu li. Como você pode configurar o texto para qualquer tamanho, a medida de palavras por página fica relativa, e você não consegue saber direito quantas páginas faltam para acabar o capítulo ou o livro, já que eu comprei uma versão que são quatro obras no mesmo arquivo. Mas pelo descontão que eu tive, acho que valeu a pena.

# minha estante – por Geraldo Fraga

07/04/2011

Geraldo Fraga é jornalista, mas não foi a partir de seu ofício que o conheci. Mais um cliente super assíduo (gente, quando eu falo cliente assim parece até outra coisa né?! vixe!) da livraria em que eu trabalhava. Viciado em HQ e filmes, era só chegar perto dele e de Maurinho pra ter certeza que eles estavam falando desses assuntos, e falavam viu!?  Devo ter conhecido ele pela minha tattoo de Mafalda ou porque toda vez que eu chegava nos dvd’s ou na revistaria tava lá o danado. E como gente boa atrai gente boa (que propaganda da minha pessoa. mas eu sou gente boa, digo logo e Gera também) conheci Geraldo.

Logo o convidei a participar do # minha estante, e sinceramente achei o máximo quando recebi suas fotos. A estante do danado é uma bagunça organizada (falei organizada pra diminuir minha culpa de estar chamando a estante dos outros de bagunça). Ele com certeza se acha por alí, mas a gente não consegue ver os títulos dos livros que ele tem. Acho que isso foi uma estratégia pra ninguém pegar nenhum livro emprestado. Não dá pra identificar quase nada. Só um livro de Saramago mais a vista no canto direito da foto, no mais a gente tem que acreditar no que ele fala. O que eu achei massa quando recebi o email de Geraldo é que a gente pode ver qualquer tipo de estante, e a pessoa não é menos leitora por isso. Afinal, de que adianta uma estante toda arrumadinha se os livros não chegam nem a ser usados? Melhor uma bagunçada em que os livros desempenham o seu papel de fato.

 

# minha estante – por Geraldo Fraga

É nessa zona aí que eu guardo meus únicos tesouros. Como diz aquela canção do Planet Hemp: Tudo que eu tenho são meus livros e discos. A maioria dos exemplares é de histórias em quadrinhos, estilo literário que mais me inspira. Temos desde os clássicos do terror, Sandman, Preacher, Hellblazer e Heavy Metal; até coisas mais singelas e fofas como a coleção quase completa de Calvin e Haroldo.

Colecionar quadrinhos é um vício desgraçado. Só quem curte consegue entender a fixação que os fãs têm por seus artistas preferidos.

Inclusive a maioria dos meus livros, de literatura propriamente dita, são de Neil Gaiman, famosos autor de quadrinhos. Deuses Americanos, primeiro romance dele, e esgotado nas livrarias, pode ser considerado o Santo Graal da minha coleção. Junto, é claro, com A Voz do Fogo de Alan Moore, um dos melhores livros de literatura fantástica já escritos.


Tem também um monte de fantasia, como a trilogia do Senhor dos Anéis e o exemplar com a coleção completa das Crônicas de Nárnia. Terror tem de bóia com Stephen King e Anne Rice, que são clichês, mas são bons. Ainda tem um espaço para Charles Dickens, Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Na rabeira, ali no canto inferior direito, tem Caim de José Saramago, que foi minha última aquisição e que ainda está em fase de leitura.

ps: a maioria dos livros fica dentro de sacos e embalagens porque tenho um pequeno problema com poeira em meu quarto.


Geraldo Fraga é jornalista, autor do livro Histórias que nos Sangram (que eu ainda não li) e do blog Infernorama.

# minha estante – por Márcia Lira

03/02/2011

Lucas Lima é uma pessoa muito querida, e vez ou outra no twitter rolava uma campanha fofíssima chamada “eu amo @marcialira”. Essa campanha era forte. Guardanapos, declarações, fotos, todas as maneiras de declarações possíveis eram feitas. Eu pensava cá com os meus botões: “owww, essa pessoa deve ser fofíssima, porque se Luquinhas (fofíssimo à décima potência) acha, é porque é. Eu tenho essa lógica, pessoas legais só gostam de pessoas legais. Ás vezes me engano, mas tudo bem, enfim…esse realmente não é o caso.

Mesmo ouvindo falar tanto de Márcia não a conhecia, nem virtualmente, até que por um link no blog de Lucas acabei batendo no blog dela e me apaixonei. O nome do blog, temática, foto, contéudo, tudo lindo. Tem como ser ruim um blog que fala de livros e literatura? difícil né?! Não lembro se da primeira vez que eu vi seu blog eu já estava com essa ideia do #minhaestante na cabeça, mas uma vez que a seção foi pro ar e conheci o Menos um na estante eu só pensava que tinha que convidar Márcia pra postar sua estante. Mas não a conhecia, fiquei com vergonha e fiquei na minha. Até que um dia acabamos nos falando devido à essas coisas de blogs e foi a deixa para que eu pudesse convidá-la, e ela aceitou, e eu achei o máximo. Gostei ainda mais quando vi algumas coincidências, como ler mais livros emprestados que comprados, e o livro querido do Huxley ser um dos que mais marcou na vida. Admirável Mundo Novo realmente tem esse poder. Então vamos à estante!

# minha estante – por Márcia Lira

Quando alguém cria um blog chamado Menos um na estante, a primeira impressão deve ser a de que o blogueiro tem um daqueles móveis abarrotado de livros, do chão ao teto. Pura fantasia. A minha estante, coitada, é bem tímida, mas é um cantinho especial. Ou melhor, é a minha bomba-relógio particular, prestes a me causar os sentimentos mais inesperados ou a realizar pequenas mudanças. Tudo isso do fundo da minha poltrona.

Então, fiquei lisonjeada quando Mari me chamou para participar desta seção, e nem hesitei já que a minha estante é novinha em folha. Como acabei de me mudar, ela ainda brilharia se brilhante fosse. Toda compartimentada, a maior parte dela ainda não foi lida. É que muitas das leituras da minha vida foram de livros emprestados por amigos, namorado, biblioteca do colégio/ faculdade ou por clubes do livro.

Não tem problema, porque eu tenho pouco do melhor no quarto: Jorge Luís Borges, Gabriel Garcia Marquez, Vargas Llosa, Hemingway, Italo Calvino, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Lygia Fagundes Telles, Murilo Rubião. Um dos livros que mais me marcaram foi Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley, não só por eu gostar do estilo ficção científica. É que eu acho que uma das coisas mais grandiosas que uma obra pode fazer por uma pessoa é apresentar um novo modo de ver a vida, e Huxley fez isso comigo.

Como toda mulher, eu amo Clarice Lispector. Inclusive, tenho o maior apego a um A Paixão Segundo GH, que eu comprei num sebo e veio com coisas lindas escritas dentro por desconhecidos. Foi do amigo Beto para Tucci, em 1982. Eu adoro viajar na mensagem, que diz coisas como: “Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus então, se compadeça de tua alma de velho”.

Um autor pouco conhecido que eu recomendo para todo mundo é Fernando Portela, que sabe colocar as palavras exatamente onde elas deveriam estar. Também aprecio demais a literatura fantástica, seja mais grosseira ou sutil, e aí tenho boas expériências com Lygia e Murilo Rubião. Uma das minha metas é ler uns clássicos como Dostoiévski, pois a verdade é que eu sou uma  iniciante no mundo da literatura. A paixão é que é grande.

Agora, eu estou sendo surpreendida por uma coletânea de contos chamada Tempo Bom, lançada com renda revertida para as vítimas das chuvas do interior de Pernambuco, no ano passado. Tenho gostado, pois estou conhecendo autores que talvez passassem despercebidos: Rinaldo de Fernandes, Ronaldo Correia de Brito, Gustavo Rios, só para citar alguns.

Ah, as lembrancinhas de viagens, especialmente a bonequinha argentina que fica pendurada, dão um toque especial aos livros.

Márcia Lira é jornalista, trabalha com mídias sociais e é apaixonada por livros, cinema, tecnologia, fotografia e pessoas – numa ordem variável. Escreve no Menos um na estante e deixa a gente atualizado desse mundo mágico dos livros pelo twitter e facebook do blog. Vai lá dar uma olhada, aproveita aperta o follow e o curtir. Ah, e é editora do blog Nota PE, faz pouca coisa essa menina.