Archive for the ‘pensamentos e momentos de felicidade’ Category

# pequenos momentos de felicidade

04/02/2011

E longe, lá longe eu começo a escutar uma música. Parece que a canção está à quilometros, mas vem do outro lado da rua. Será na loja de lingeries que eu paquerava toda vez que esperava o ônibus pra ir ao trabalho? Mas a loja não está com nenhuma porta aberta e pra escutar a música de onde eu estou o som deveria estar estrondando na loja.

E também não é o tipo de música que se toca pra vender lingerie. Ou até é. Música ambiente, MPB, acho que é isso que toca. Mas se a loja fosse minha eu tocaria de Portishead pra cima. Acho que ia vender bem. Mas definitivamente o som não vem da loja, só há uma luz acesa e dá pra ver que já estão se organizando pra fechar.

Acho que vem desse prédio. Sim, realmente vem desse prédio. 3º andar. A rua está muito barulhenta, ouço a música mas não consigo identificar direito. Mas essa melodia eu conheço, e adoro. Não sei o nome, não sei cantar, mas adoro, sei que adoro. Por sinal, faz tempo que não ouço essa canção. Gosto dessas sensações de re-descobertas e pensamentos que te assaltam às sete da noite numa parada de ônibus. Essas memórias ficam guardadas em pequenas caixas e gavetas no cérebro e felizmente se abrem como os pop-ups dos livros infantis para nos trazer uma dose de felicidade e alegria, que a princípio seriam momentâneos mas que perduram durante várias horas do dia até a cabeça ser novamente tomada pelas preocupações da rotina. Mas no fundo, no fundo aquele prazer já mudou o humor do dia.

E a música? Acho que é de Chico. É acho, não tenho certeza. Mal escuto a voz na canção, mas essa melodia…é, acho que é de Chico. Se ao menos eu pudesse escutá-la melhor… Mas só a escuto quebrada em meio ao barulho dos carros em alta velocidade, às freadas dos ônibus parando para que os passageiros desçam ou subam e modifiquem seus percursos, às conversas das pessoas, aos latidos dos cachorros. Só me resta a migalha da música, suficiente pra sorrir sozinha em meio à multidão, mas a migalha. Só percebo que mudou a canção porque o barulho da rua deu uma trégua e escuto “meu melhor amigo é meu violão…” Ah, também gosto dessa. Chico, definitivamente Chico.

Uma menina começa a cantar funk na rua, bem alto. Tão alto que todas as pessoas começaram a olhar pra ela. Uma senhora atravessa a rua mal olhando para o trânsito entrertida com as pessoas do outro lado da calçada que conversavam com ela há pouco. Quando para em sua calçada dispara umas três vezes “Xau Felipe” e passa mais alguns segundos acenando pra criança e olhando para o lado de lá. O barulho continua intenso, as pessoas continuam falando, a música acabou, meu ônibus chegou e a única coisa em que consigo pensar é: “ainda bem que esqueci meu ipod…”

 

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# pequenos momentos de felicidade

11/11/2010

 

o cheiro do sabonete ainda estava na pele, mesmo depois de descer a ladeira debaixo de uns chuviscos que perigavam virar chuva. ela notou o cheiro ao tentar tirar um cravinho do seu rosto e parou porque sentiu o quanto sua pele estava macia. aproximou seu rosto do dele e inspirou forte, como se estivesse segurando o ar e parando de respirar nas vezes que fotografa sem tripé e com a velocidade super baixa. ás vezes treme, ás vezes não. dessa vez tremeu e guardou aquele cheiro na memória, assim como tem o do perfume guardado. parou de pensar no cheiro porque lembrou do cravo que estava olhando e a vontade de tirar era tanta que forçou somente com uma unha para que o artrópode saisse (acha feio, nojento e sente vergonha de tirar cravinhos em público, por mais que lhe dê aquela vontade. já entre quatro paredes pode tudo). ficou puxando o cravinho com a unha com a desculpa de que era um pelinho, mas ele sabia o que ela tentava fazer. e nesse instante foi chamada de chata. e isso era felicidade. mas teve que acordar pra não perder a parada. correu, pegou o outro ônibus para chegar ao trabalho. chegando lá estava faltando energia, e a impossibilidade de ligar o computador imediatamente estendeu os pequenos momentos de felicidade no pensamento. ganhou o dia que acabara de começar.

foto:  Jesh Derox