O fotógrafo

Difícil fotografar o silêncio

Entretanto tentei. Eu conto:

Madrugada a minha aldeia estava morta

Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas

Eu estava saindo de uma festa

Eram quase 4 da manhã

Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado

Preparei minha máquina

O silêncio era um carregador?

Estava carregando um bêbado

Fotografei esse carregador

Tive outras visões naquela madrugada

Preparei minha máquina de novo

Tinha um perfume de jasmin no beiral de um sobrado

Fotografei o perfume

Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra

Fotografei a existência dela

Vi ainda um azul – perdão no olho de um mendigo

Fotografei o perdão

Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa

Fotografei o sobre

Por fim, enxerguei a Nuvem de calça

Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com

Maiakovski – seu criador

Fotografei a Nuvem de calça e o poeta

Nenhum outro poeta no mundo faria roupa mais justa para cobrir sua noiva.

A foto saiu legal.

O fotógrafo – Manoel de Barros

ps: a fotografia acima me lembra de alguma forma esse poema, gosto dela. By Rapha Oliveira.



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3 Respostas to “O fotógrafo”

  1. alemmaralemmim Says:

    Hummmmm que coisa linda, duplamente linda :D

  2. Pati Says:

    Manoel de Barros é ótimo!
    Feliz dia do fotógrafo Marie =*

  3. Mateus Lima Says:

    o.O

    lindo! lindo! lindo!

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